Ir até a Cachoeira do Tombador foi uma das experiências mais marcantes que já tive em Ubatuba. Ela fica no Sertão do Ubatumirim, na região norte da cidade, e o caminho até lá é quase uma aventura por si só. Saindo da rodovia Rio-Santos, pelo km 14, são cerca de 7 km até a queda d’água. Mas não é um trajeto direto nem simples, então é bom se preparar.
Como é a trilha da Cachoeira do Tombador?

Os primeiros 3 km, até a escola do Ubatumirim, são de asfalto, tranquilos. A partir dali, começa o trecho de terra, com mais 4 km até a entrada da trilha. Aqui é importante dizer: se você estiver de carro, prefira um 4×4. Mesmo que o tempo esteja seco, é comum encontrar barro e um riacho no caminho que pode dar trabalho para carros baixos. No meu caso, fui com um carro comum e acabei precisando de ajuda para atravessar uma parte mais enlameada. Vale a pena ser prevenido.
Logo após a escola, uma ponte estreita dá início ao trecho de estrada de chão. Depois de uns 400 metros, aparece um trevo, e é ali que a atenção faz diferença. Pegue à esquerda, subindo levemente. Se você seguir reto, vai acabar na trilha da Cachoeira da Laje. Uma dica ótima para saber se está no caminho certo é observar uma casa de pedra na subida à esquerda. Essa “Casa de Pedra” é um ótimo ponto de referência.
Visual da trilha é encantador
O visual desse trecho é muito bonito e rúce. A estrada passa por plantações de mandioca, bananeiras e casas simples. A extração de açaí juçara é visível em alguns pontos, e o verde denso das árvores altas dá uma sensação de estar se afastando de vez do urbano. Atravessando o riacho, o caminho continua entre mais algumas casas rústicas e outra pequena ponte. Pouco depois, uma clareira à esquerda aparece, próxima de uma lagoa. É ali que deixei o carro.
Daí em diante, é a pé. Com a lagoa à direita, segui pela estradinha até começar uma subida curta de uns 100 metros. No fim dessa subida, virei à direita numa trilha mais estreita e já em descida. A mata se fecha um pouco, mas o caminho está relativamente claro. Em poucos minutos, cheguei na Cachoeira do Tombador.
Saiba mais detalhes do visual
Sinceramente, fiquei surpreso com o visual. Não esperava algo tão bonito e ao mesmo tempo tão escondido. São várias quedas d’água, formando diferentes piscinas naturais. A segunda queda é a mais bonita, com um poço raso em grande parte, perfeito para entrar com segurança. A água é incrivelmente limpa e gelada, do jeito que eu gosto. Como fui durante a semana, não havia quase ninguém por lá, o que deixou tudo ainda mais especial.
Para quem gosta de fazer trilha, existe um atalho a pé que parte do primeiro ponto de ônibus na estradinha entre a rodovia e o Sertão do Ubatumirim. São cerca de 3 km por esse caminho, com algumas bifurcações. A dica é sempre seguir à esquerda. Mas é bom saber que o caminho envolve atravessar pinguelas e é bem mais rústico. Levar repelente é essencial, e o ideal é estar acompanhado de alguém que conheça a região ou contratar um guia local.
Como toda área de mata e cachoeira, é bom tomar cuidado com escorregões, principalmente se tiver chovido nos dias anteriores. A trilha final é relativamente curta, mas pode ficar escorregadia. Também é importante evitar ir sozinho. O sinal de celular é praticamente inexistente em boa parte do trajeto.
Levei lanche, água, toalha e um saco para trazer o lixo de volta. Não há nenhuma estrutura por perto, então é fundamental ir preparado. Recomendo ir com calçado adequado para caminhada e levar roupa extra, já que o banho na cachoeira é irresistível.
No geral, a visita à Cachoeira do Tombador foi daquelas que valem o esforço. O caminho é um pouco desafiador, mas compensa cada metro percorrido. É um lugar que guarda uma beleza selvagem e que, felizmente, ainda não foi tomado por grandes grupos de turistas. Pra quem gosta de natureza de verdade e não se importa em encarar um acesso mais rústico, é uma excelente pedida. E sinceramente? Voltaria lá fácil.

Sou Michele, apaixonada por ecoturismo e por tudo o que envolve aventura e natureza. Ubatuba é meu playground e, ao longo dos anos, explorei os melhores lugares para trilhas, mergulho, surf, rapel e tantos outros esportes ao ar livre.
Mas não basta só conhecer os destinos — saber como chegar com segurança, o que levar e quais cuidados tomar faz toda a diferença. Por isso, compartilho dicas práticas para que você evite imprevistos e aproveite cada momento ao máximo. Quero que sua viagem a Ubatuba seja memorável, cheia de descobertas e conexão real com a natureza!






