Ir até a Praia da Caçandoca foi como dar um mergulho num pedacinho quase intacto de Ubatuba. Para chegar lá, saí da rodovia Rio-Santos na altura do Km 77,5 e entrei numa estradinha de terra. Já começa diferente. Não tem placa chamativa, nem estrutura de cidade. No caminho, parei num mirante natural que tem uma vista linda da baía da Maranduba. Vale muito a pena fazer essa pausa rápida, ainda que o acesso seja simples, a paisagem é daquelas que merecem uma foto com calma.
Como é a trilha para a Praia da Caçandoca?
Seguindo a estradinha, que mais parece uma trilha para carros, prepare-se para muitos buracos, pedras e erosões. São cerca de 4,5 km até a Caçandoca, e se estiver de carro baixo, vá devagar. Uma hora a gente dá de cara com uma pequena guarita, onde cobram uma taxa de entrada. Em 2024, paguei R$ 20,00 pelo carro. Esses valores vão direto para a comunidade quilombola que vive ali e que conseguiu, com muito esforço, o direito legal de administrar a entrada.
Como é a Praia da Caçandoca?
Chegando na praia, entendi por que tanta gente recomenda. É ampla, com areia branca, vegetação nativa e algumas árvores antigas na orla. A Caçandoca tem aquele clima de lugar escondido, mas ao mesmo tempo tem um certo movimento por causa dos quiosques. São poucos, mas dão conta do recado. Consegui uma água de coco gelada e um peixe grelhado bem servido. Não espere luxo, mas sim comida honesta e feita na hora.
Se você curte explorar, no canto esquerdo da praia tem uma trilha curtinha até a Praia do Pulso. Não fiz porque estava com crianças pequenas, mas quem foi disse que é bem tranquila. Já no canto direito tem um riacho que marca o início de uma trilha mais longa, que vai até a Caçandoquinha e segue por uma sequência de praias selvagens como a do Saco das Bananas e do Frade. Esse caminho é conhecido como Trilha das 10 Praias. Um prato cheio pra quem curte trekking com visual.

O que você precisa saber sobre a Praia da Caçandoca?
Uma coisa que me marcou muito na visita à Caçandoca foi saber da história local. A região é reconhecida oficialmente como terra quilombola, com 890 hectares. Existe um Centro Comunitário e uma Casa de Artesanato onde você pode aprender um pouco mais sobre as famílias que vivem ali desde os tempos de escravidão. Conversei com um senhor que nasceu e cresceu ali, e ele contou com orgulho como a comunidade resistiu e conseguiu regularizar suas terras.
Fui numa época especial: entre abril e maio, em noites de lua cheia ou nova, acontece a “Andada do Guaiamum”. Eu não fazia ideia do que era, mas é uma daquelas experiências que a gente nunca esquece. Ao anoitecer, as fêmeas do guaiamum, aquele caranguejo azul que vive no mangue, saem em direção ao mar para soltar suas larvas. É silencioso, quase místico. Elas vão surgindo, uma a uma, e de repente está cheio delas andando em ritmo sincronizado pela areia.
Comunidade da Praia da Caçandoca
A comunidade organiza uma vigília voluntária para protegê-las, porque é comum que se percam nos quiosques ou sejam atropeladas por carros. Nós, visitantes, recebemos orientações para manter o silêncio, não usar flash e dar prioridade a elas na passagem. Se tiver um guaiamum na frente do carro, é preciso esperar. Faz parte do respeito que eles merecem. Aliás, esses caranguejos estão ameaçados de extinção justamente por causa da interferência humana. E esse cuidado local é bonito de ver.
Esse evento faz parte do projeto “Manguezal Terra do Guaiamum”, que conta com bólogos, ambientalistas e moradores. É um bom exemplo de turismo que respeita e protege, e não só explora. Tudo é feito com calma e sem barulho, como deve ser. Saí de lá com a sensação de ter participado de algo raro.
Se você está pensando em conhecer a Caçandoca, eu diria para ir com espírito tranquilo. Leve sua própria água, protetor solar, e se for passar o dia, um guarda-sol. A estrutura é básica, não conte com sinal de celular. O acesso é rústico, então evite ir em dias de chuva ou com carro muito baixo. E se for na época da andada dos guaiamuns, participe. É um privilégio.
A Caçandoca me surpreendeu porque une tudo que eu gosto: natureza bruta, um pingo de estrutura, história viva e um povo que realmente cuida do seu espaço. Não é um lugar pra ir com pressa ou esperando conforto. Mas se você quer sentir Ubatuba de verdade, vai gostar tanto quanto eu.

Sou João Gabriel, um apaixonado por planejamento de viagens e por ajudar outras pessoas a aproveitarem ao máximo seus passeios. Quando o destino é Ubatuba, minha missão é dar dicas úteis e práticas para que sua experiência seja incrível, sem surpresas desagradáveis.
Seja escolhendo entre pousadas charmosas ou hotéis com estrutura completa, ou decidindo o melhor período para visitar a cidade de acordo com seu estilo de viagem, estou aqui para compartilhar informações que realmente fazem a diferença. Acredito que uma viagem bem planejada se torna ainda mais especial e o meu objetivo é tornar sua ida a Ubatuba fácil, proveitosa e inesquecível.






